Mas quando vi, pela primeira vez, sobre a montanha, uma figura de Mulher que nos convidava a subir, senti, de repente, no meu coração, algo de especial. Percebi logo que minha vida iria mudar completamente. Quando, depois, subimos e me vi perto de Nossa Senhora... Sua beleza, aquela paz, aquela alegria que nos transmitia... Naquele momento, para mim, nada mais existia, somente Ela e, em meu coração, havia apenas o desejo de que aquela aparição se repetisse e novamente eu pudesse vê-La.
A primeira vez que A vimos, por causa da alegria e emoção, não pudemos dizer uma só palavra, apenas choramos de alegria e rezamos. No mesmo dia, quando regressamos a nossas casas, apresentou-se o problema: como dizer a nossos pais que tínhamos visto Nossa Senhora? Com certeza nos diriam que estávamos ficando loucos! De fato, no princípio a reação deles não foi nada boa. Mas, depois, vendo o nosso comportamento (minha mãe dizia que eu estava muito mudado, que não queria sair com os amigos, que queria somente ir à Missa, rezar e subir a Colina das Aparições), começaram a acreditar. Agora posso dizer que, naquele momento, começou minha vida com Nossa Senhora.
Eu a vi durante dezessete anos. Posso dizer que cresci com Ela, que tudo aprendi dEla, muitíssimas coisas que antes não sabia. Quando Nossa Senhora veio, logo nos convidou a seguir Suas mensagens principais, que para mim eram completamente novas. Por exemplo, a oração, os terços do Rosário.
Perguntava-me: Por que rezar os três terços e o que é o Rosário? Por que jejuar? Eu não entendia para que serviam, nem o que significava conversão. Para que rezar pela paz? Tudo isto eram coisas novas para mim. Mas desde o início compreendi uma coisa: aceitar tudo o que a Virgem nos pede, porque apenas isto é necessário, abrir-nos totalmente a Ela. A Virgem disse muitas vezes nas Suas mensagens: basta que abram seus corações a Mim e, no resto, penso Eu. Dessa forma, compreendi e pus minha vida em Suas mãos. Pedi-Lhe que me guiasse para que tudo o que fizesse na vida fosse da Sua vontade, e assim começou o meu caminho com a Gospa".
Ela convidou-nos à oração e recomendou que o Rosário voltasse às famílias, porque nada melhor do que rezar juntos o Santo Rosário para unir a família, especialmente, os filhos. Eu vejo que muitas pessoas que vêm aqui me perguntam: Meu filho ou minha filha não rezam, que fazer? Então eu pergunto: Alguma vez rezaram com seus filhos?
Muitos dizem que não. Então não podem esperar que eles rezem com a idade de 20 anos, quando até então nunca experimentaram a oração na família, nunca perceberam a existência de Deus em sua família. Devemos ser exemplo para nossos filhos, devemos ensiná-los. Nunca é demais insistir em ensiná-los. Aos 3 ou 4 anos não conseguem rezar com os adultos os três terços do Rosário, mas, pelo menos, devem dedicar um tempo a Deus, para verem e compreenderem que Deus deve estar em primeiro lugar em nossas famílias.
Por que a Virgem aparece? Aparece por nossa causa, por causa do nosso futuro. Ela diz: Eu desejo salvar todos vocês e, um dia, desejo oferecê-los a Meu Filho como a mais bela flor. Não somos capazes de compreender Suas aparições. Que grande é Seu Amor por nós! Ela diz sempre que, com a oração e o jejum, podemos fazer tudo, até parar guerras. Devemos compreender Suas Mensagens, mas antes devemos aceitá-las em nosso coração. Se não abrirmos o coração a Nossa Senhora, nada poderemos fazer nem poderemos aceitar Suas mensagens. Eu digo sempre que o Amor de Nossa Senhora é grande e, nestes 18 anos, Ela o tem demonstrado muitíssimas vezes, repetindo sempre as mesmas mensagens para a nossa salvação. Pensem numa mãe que diz sempre ao filho: faz isto e aquilo. Se ele não obedece, prejudica-se. Apesar disto, Nossa Senhora continua aparecendo aqui e convida-nos a viver as mesmas mensagens. Basta ver o amor que nos transmite através das mensagens do dia 25 de cada mês. Nessas mensagens, Ela sempre diz no final: "Obrigada, por terem respondido ao Meu chamado ". Quão maravilhosa é Nossa Senhora quando nos agradece por termos respondido ao Seu chamado. Somos nós que, pelo contrário, a cada segundo de nossa vida, deveríamos agradecer a Ela por Suas aparições aqui para nos salvar, para nos ajudar.
Nossa Senhora também nos convida à oração pela paz. Ela vem aqui como Rainha da Paz e, com Sua vinda, traz-nos a paz e Deus concede-nos Sua Paz. Desejá-la é uma decisão nossa. Muitos, no princípio, interrogavam-se: por que Nossa Senhora insiste tanto na oração pela paz, dado que nós, naquele momento, tínhamos paz? Depois, compreenderam aquela insistência. Dez anos depois dos Seus apelos quotidianos à oração pela paz, estourou a guerra. Sinto uma certeza dentro de meu coração: se todos tivéssemos acolhido Suas mensagens, muitas coisas não teriam acontecido, não apenas em nosso País, mas também no mundo.
Devemos ser todos missionários e divulgar Suas mensagens. Ela convida-nos também à conversão. O primeiro passo é a conversão do coração porque, sem ela, não podemos aceitar tampouco o que Ela nos diz. Se não temos paz no coração, não podemos rezar pela paz no mundo.
Muita vezes, ouvi peregrinos dizerem: «Estou cansado do meu irmão, eu perdoei-lhe mas é melhor que ele esteja longe de mim». Isto não é paz nem perdão, porque Nossa Senhora traz-nos Seu Amor e nós devemos demonstrá-lo ao próximo, amando a todos. Devemos primeiro perdoar para ter paz no coração. Muitos vêm a Medjugorje trazendo a expectativa de verem um sinal, a Virgem ou o Sol girando... Mas eu digo a todos que o principal e maior sinal que Deus pode dar-nos é verdadeiramente a conversão. Este é o maior sinal que o peregrino pode levar daqui. O que de melhor pode levar de Medjugorje como recordação? O maior presente de Medjugorje são as mensagens da Virgem. Vocês precisam testemunhá-las, sem medo, sem se envergonhar, mas sem obrigar os outros a crer. Cada um de nós tem a liberdade de escolher: acreditar ou não. Devemos dar testemunho, não apenas com palavras.
Podem fazer em suas casas grupos de oração. Para isso, não é necessário serem dois mil, duzentos ou cem. Podem ser duas ou três pessoas, mas o primeiro grupo de oração deve ser na família e, depois, aceitar os outros e convidá-los a rezar com vocês.
(Entrevista concedida a Franco Silvi e Alberto Bonifácio, em 7.12.98)
Eco de Medjugorje – 161